No verso

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Lá estavam as páginas, todas rabiscadas, e ela com o lápis de cor na mão.

Com vontade de pintar um novo amanhecer, de um céu azul daqueles de dias quentes.
Com vontade de fazer voar aquela borboleta que, ontem, ainda vivia no casulo.
Vontade de pintar as folhas verdes que colorem e enchem de esperança.
E todas aquelas flores do campo com que sonhou.

Só queria escrever a palavra amor e contorná-la com um coração.
Pintar uma boca pra beijar e deixar no papel a marca do batom.
queria desenhar uma mão, uma proteção qualquer.

Pintaria um risco infinito por onde caminhar, um círculo pra guardar as coisinhas de toda uma vida.
Pintaria breves, mínimas, colcheias e fusas, tudo pra cantar o que mandasse o coração.
Pintaria o infinito, o invisível, as asas da liberdade.

Mas lá estavam as páginas, todas completamente rabiscadas, e ela com o giz de cera na mão.

Com uma vontade enorme de colorir a vida e pendurar em uma parede lá do corredor.
Pra olhar e continuar a querer.
Pontilhar uma aliança que renovasse a fé.
Pintar os sonhos perdidos.

Sem onde riscar, sem onde colorir.

Até que A Voz, aquela que só diz quando a gente cala e presta atenção, ensinou o que era importante de verdade:
‘Vire a página, filha. Atrás ainda é branco’.

Claro! atrás ainda era branco.
Apesar das marcas deixadas pelos riscos feitos naquilo que se tornou verso
[aquelas marcas que sempre ficam].
Ainda era branco.
Limpo e pronto para um novo colorido que vem vindo devagar, tracinho por tracinho.

Michelle Ferraz.

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